:: Excertos de uma vida provisória ::

Sujeito depressivo, perdido na realidade aos 30 anos. Niilista e solitário, viciado em livros deprês e incompreensíveis, rock clássico e mitologia antiga. Repleto de idéias sobre tudo e sem certezas sobre nada. Nada mais há para saber.
:: Bem vindo aos confins de minha forja.

Esta oficina se chama Excertos de uma vida provisória::.

Tenho prazer em recepcionar-te, mortal, em meu sagrado recesso.

Pela voz de Hermes me envia tua mensagem ::

::.. "Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade"..:: - Fernando Pessoa

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:: Quarta-feira, Outubro 12, 2005 ::

Da série "Pesquisas
ou "você ainda vai parar aqui fazendo uma

cade.search.yahoo.com/search?p=Uma pe%C3%A7a que eu e meu grupo pode fazer sobre a regi%C3%A3o sul do brasil&ei=UTF-8&u=&meta=all%3D1
É "podemos", zifio. Sei lá, ué. Negrinho do Pastoreio, talvez.

www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=fa%C3%A7a aquela camiseta velha tornar uma nova blusa&btnG=Pesquisar&meta=lr%3Dlang_pt
Sei lá, vai na São Paulo Feche o Zíper, ué.

www.google.pt/search?q=imagens de burros&hl=pt-PT&lr=&start=20&sa=N
Já tentou num fotolog de torcida organizada?

pesquisa.sapo.pt/SearchNav?chan=&channel=2005&barra=mundial&q=imagens%20de%20pessoas%20feias&t=0&fs=30&lfpage=10&page=4&limit=20.
Bá, essa é mais fácil. Que tal a página oficial dos Stones?

::...
Hefestus 5:41 PM ...::
:: Segunda-feira, Outubro 10, 2005 ::
Referendum
O Referendo não vai mudar nada na minha vida, a não ser o fato de que eu vou ter de sair de casa no domingo para dar minha opinião sobre uma questão que vai se tornar crucial para muita gente.
Opinião que eu ainda não tenho.
Eu não tenho uma arma. Eu não quero ter uma arma, eu não sei atirar, não pretendo aprender, não pretendo ter uma na minha casa porque nas mãos de um imperito sem vontade nenhuma de ter prática no manejo de armas essa arma muito provavelmente ia parar na mão de um ladrão para ser usada no assalto a um terceiro. Portanto, dê sim ou dê não nesse diabo desse referendo que vai me fazer sair de casa no domingo pra votar, não me interessa. Não vou ter uma arma. É uma decisão minha. Ponto pacífico.

Agora, a decisão tem sim ressonância futura. Pra mim e pra todo mundo.
O debate gerou acaloradas paixões, o que é bom, sempre é bom quando a gente pára e pensa. O problema é que esse processo me lembra sempre por que eu já acreditei no anarquismo na juventude. Porque o processo eleitoral é uma bobagem na qual se decide qual dentre os partidários de uma idéia tem mais grana para fazer propaganda e mais argumentos distorcidos para apresentar numa questão.
Há algo que realmente me incomoda no ato arbitrário de um governo que cerceia tão completamente a liberdade individual. Um governo que quer para si o monopólio da violência, e é isso que está por trás do programa de desarmamento: um projeto de identificação e combate. Primeiro eu tiro a arma de todo mundo e baixo uma lei proibindo que os cidadãos as tenham. Daí pra diante, só o Estado e os integrantes de seu aparato podem tê-las. Depois, quem eu achar na rua com arma está fora lei, providenciando ao estado o pretexto para o combate e a retirada do indivíduo de circulação – e, por conseguinte, da arma que ele portava irregularmente. Eu acho essa uma filosofia autocrática e coercitiva, e cada pedaço de mim parece se rebelar contra ela. A estratégia da opressão estatal como forma de sanar os problemas que o estado cria por sua própria leniência. Se quisessem exercer controle rígido, exercessem sobre a fiscalização e a concessão de licenças de posse. E diminuíssem drásticamente o porte. Quem é contra armas poderia exercer sua prerrogativa de não tê-las. Mais ou menos como eu, e é ao mesmo tempo arrogante e inevitável me citar como exemplo, já que em questões de ética e moral o parâmetro é sempre a própria consciência. Esse é um ponto.
Agora, não é fácil também ignorar que na vida em sociedade os direitos exercidos por outros interferem nos meus. A maneira como algum idiota que exerça o direito de ter uma arma vai usá-la pode ter reflexos em quem não a tem e nunca quis ter. Nesse sentido os argumentos de que os bandidos não serão desarmados são ao mesmo tempo óbvios e totalmente desnecessários. Ok, bandido sempre burlou a lei e é por isso que eles são bandidos, surpreendam-se os defensores das armas. O que não pode é agora qualquer idiota achar que é mais negócio traficar um fuzil para dentro de casa porque o comércio legalizado não existe mais. Se a proibição total pode sim provocar um crescimento de uma rede criminosa de oferecimento do produto proibido, e historicamente está provado que ela PROVOCA, como no caso da malfadada Lei Seca, fica ao critério da loucura e do caráter de cada um escolher embarcar no mercado negro para compensar a inexistência de um mercado legítimo.
E, convenhamos, algumas das pessoas que eu tenho visto defendendo fervorosamente o direito a ter uma arma são criaturas desequilibradas o bastante para que não seja seguro permitir que elas tenham em casa uma faca de serrinha.

Outro ponto confuso nesse referendo é sua própria estrutura. Não sou nem contra nem a favor das armas até o momento, acho que eu sou é contra esse referendo. Para começar ele é um primor de má construção idiomática ao fazer uma pergunta que precisa ser respondida com uma concordância negativa ou com uma discordância afirmativa. Ao deslocar a questão para você é a favor da PROIBIÇÃO da comercialização (essa rima é de matar) de armas e munições o referendo produz uma pergunta ém que o interrogado precisa responder SIM para o que NÃO se deve fazer e NÂO para o que se quer continuar fazendo. Sim pelo não e Não pelo sim. Uma manobra claramente eleitoral para garantir que a massa ignara vote sem saber muito bem em que está votando e se confunda para dar mais votos à proibição.
Uma vez, e isso é de se admitir, quem é contra a proibição sabe no que está votando. Quem é indiferente mas vagamente contra o desarmamento vai se embananar na hora do voto. E o contrário também vale.

De um lado, uma pergunta que se responde por meios enviesados, com uma questão que tem defensores apaixonados dois dois lados, e ambos fazendo uso de argumentos ingênuos e descentralizados do problemas principal, observações falaciosas e conclusões precipitadas com pouca possibilidade de serem confirmadas na prática.
Do outro, o fato de que está se abrindo um precedente para que o estado resolva ludibriar a opinião pública e proibir outras coisas, outros direitos que não são necessariamente imediatos mas que poderiam ser sim exercidos por quem interesse tivesse.

E uma votação no domingo.
Ah, saco. Pena que eu não vou estar viajando pra... sei lá, Mongólia, Timbuktu, Paraguai no dia dessa merda.

Acho que vou anular meu voto - se tiver essa possiblidade lá, claro. Afinal, mesmo o idiota que acredita estar sendo radical por votar nulo não percebe que o voto nulo é uma probabilidade prevista no sistema, uma outra possibilidade dentro da engrenagem que faz o processo eleitoral rodar.
E nos esmagar entre seus dentes.

::...
Hefestus 12:45 AM ...::

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