:: Terça-feira, Abril 24, 2007 ::
O fim (e o começo) Por aqui deu. Por ora e até segunda ordem, este blogue está encerrado. Mas por conta de umas dessas loucuras da minha cabeça, eu não parei de escrever em blogue, só parei de escrever NESTE blogue. Também não tem proposta diferente nenhuma, os textos não vão mudar de formato nem de objetivo (ou seja, nenhum). Só achei que seria legal mudar de endereço. Doravante, quem tiver vontade e paciência, me encontra no Conceitos Forjados (www.hefestus.wordpress.com ). Adeus E oi outra vez.
Marcadores: Finitude
::... Hefestus 2:26 PM
Manifeste-se ...::
:: Quinta-feira, Abril 05, 2007 ::
Ultimus Inter Pares Caraca. Se o Romário visse essa defesa do Inter jogando, botava uma pilha para marcar um amistoso já pra semana que vem. Era Gol Mil na certa.
Marcadores: Colorado
::... Hefestus 12:02 AM
Manifeste-se ...::
:: Quarta-feira, Março 21, 2007 ::
Foto: Igor da Silva Amora, especial/ZH Esta Tarde a Trovoada Caiu Esta tarde a trovoada caiu Pelas encostas do céu abaixo Como um pedregulho enorme... Como alguém que duma janela alta Sacode uma toalha de mesa, E as migalhas, por caírem todas juntas, Fazem algum barulho ao cair, A chuva chovia do céu E enegreceu os caminhos ... Quando os relâmpagos sacudiam o ar E abanavam o espaço Como uma grande cabeça que diz que não, Não sei porquê — eu não tinha medo — pus-me a rezar a Santa Bárbara Como se eu fosse a velha tia de alguém... Ah! é que rezando a Santa Bárbara Eu sentia-me ainda mais simples Do que julgo que sou... Sentia-me familiar e caseiro E tendo passado a vida Tranqüilamente, como o muro do quintal; Tendo idéias e sentimentos por os ter Como uma flor tem perfume e cor... Sentia-me alguém que nossa acreditar em Santa Bárbara... Ah, poder crer em Santa Bárbara! (Quem crê que há Santa Bárbara, Julgará que ela é gente e visível Ou que julgará dela?) (Que artifício! Que sabem As flores, as árvores, os rebanhos, De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore, Se pensasse, nunca podia Construir santos nem anjos... Poderia julgar que o sol É Deus, e que a trovoada É uma quantidade de gente Zangada por cima de nós... Ali, como os mais simples dos homens São doentes e confusos e estúpidos Ao pé da clara simplicidade E saúde em existir Das árvores e das plantas!) E eu, pensando em tudo isto, Fiquei outra vez menos feliz... Fiquei sombrio e adoecido e soturno Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça E nem sequer de noite chega.Alberto Caeiro
Marcadores: Poesia
::... Hefestus 11:08 PM
Manifeste-se ...::
Legião Uma vez fui a Brasília – não, na verdade foram duas vezes, e a segunda foi de um fascínio que poucas coisas tiveram depois, mas neste caso específico estou falando da primeira – e o camarada a quem fui visitar achou por bem, sem que eu entendesse muito bem por quê, me levar para visitar o templo colossal que a Legião da Boa Vontade construiu por lá. Ok, ele veio da mesma cidade fim de mundo da campanha que eu, mas daí a começar a achar qualquer coisa vira marco turístico e ponto de visitação só porque está na capital do país é outra coisa. E, que eu saiba, ele nem era e ainda não é exatamente um "homem de fé". O fato é que havia tudo o que se pode esperar do misticismo high-tech do segundo milenarismo: Cristo, pedras, fontes, mármores, estruturas piramidais de aço e vidro, luzes estrategicamente colocadas para causar impacto com sua iluminação indireta de um azul quase radiativo. Tudo criado para reproduzir uma experiência de sublime adaptada à nova era. Achei ridículo. *** Eu trabalhava como contínuo numa rádio do interior e uma vez um dos operadores puxou de uma das caixas de madeira que dividiam a discoteca o disco Athom Heart Mother, do Pink Floyd, o célebre "álbum da vaca" e me mandou guardar no outro lado da sala porque era disco de música gauchesca e estava no lugar errado. Eu também não conhecia o álbum, mas ao ler o nome do disco na lombada vi que não poderia ser como ele estava dizendo. Fui ouvir e a primeira música, If, me atingiu como uma epifania. Um colega que passava e ouviu parou e ficou perguntando: "tá, mas a música é só esse 'tamtantantataran tan", não sai disso?' Ele achou ridículo – e chato. Eu achei sublime. * Numa resenha publicada na Bizz nos anos 1980 sobre um dos discos dos Engenheiros do Hawaii (ainda na fase Gessinger, Maltz, Licks) o autor comentava um ponto que eu considero fundamental para a linha de pensamento que detonou este texto, a princípio: "todo mundo adora malhar o cabelo Vanusa do Gessinger mas não fala nada do bigodão bolerão de Renato Russo. E por que o verso 'ouça o que eu digo, não ouça ninguém' é pior do que 'você diz que seus pais não lhe entendem, mas você não entende seus pais?'" A chave do processo – e que o resenhista matou embora estivesse falando de outra coisa, é que a cada dia fico mais convencido de que a fronteira que demarca o ridículo do sublime é tênue, e atende pelos nomes de "boa vontade" ou "predisposição" – e foi ao pensar em Boa-Vontade que me lembrei do episódio do templo que abre este texto. É como um quadro do Saturday Night Live no qual um sujeito mirrado e feioso era processado por assédio sexual cada vez que perguntava as horas a uma colega de trabalho enquanto um jogador de futebol americano fortão e de boa aparência surgia de cuecas na frente de uma garota e conseguia ainda marcar um jantar com ela. Se você já tem prevenção contra uma coisa, o que vier dela será ridículo, e você relutará muito antes de conceder que uma coisa que parece sublime é simplesmente um ridículo que te agrada. Claro que, como teoria de arte, isso é idiota se aplicado generalizadamente – até porque há coisas que não são nem ridículas nem sublimes, ficam no meio do caminho justamente por não o usar em nada, mas nem por isso deixam de ser interessantes ou divertidas. Livros comuns, músicas parecidas uma com as outras, quadros que os caras no Brique da Redenção pintam: você até compra para colocar na parede da sala, mas não deve se enganar sobre o valor artístico daquilo. E sempre haverá uma ou duas coisas que são fora do comum, geniais, e sobre as quais não pode pairar dúvida, mas estas são poucas. Numa era em que os pós-modernos adoram ruminar conceitos relativos com relação a arte, estética, moral e o que vem pela frente, esse processo da predisposição ou da boa-vontade comandar o julgamento se tornou ainda mais forte. O interessante é que porta-vozes do relativismo em quase tudo, muitos não o aceitam quando direcionados aos seus gostos. Recentemente um amigo comentou sobre como o Guns'n'Roses em sua vinda a Porto Alegre seria um espetáculo datado, patético e gay até para os padrões emos. Concordei com seus argumentos, mas em nenhum instante achei que eles validavam o desprezo, afinal se uma coisa que a passagem para os trinta ajuda a compreender muito melhor é como, vistas em perspectiva, as coisas são cíclicas e pouco originais: o Guns é datado. É, é puro anos 1980, e isso pode ou não ser um elogio – depende do ponto de vista, lembra? O cara citava Radiohead como algo que não passaria e valeria para daqui a 20 anos, diferentemente do Guns, e eu, que gosto muito de Radiohead, concordei, mas nos anos 1980, esse papel era do U2, e não do Guns – o Guns, datado e patético, nada mais era que o que inúmeras bandas de hoje como Strokes, Wolfmother, Franz Ferdinand, Kings of Leon representam: o interessante sem inovação. O resgate de algo que já se fez antes, e em alguns casos até melhor, afinal ninguém que tenha ouvido com alguma atenção, primeiro, bandas como Led Zepellin, The Who, The Kinks, realmente vai se comover às lágrimas com essas bandas modernas supracitadas. E nesse sentido, aquele que flerta com o ridículo – ou com o sublime, depende do ponto de vista – acho que tem mais status de artista do que quem trilha o seguro caminho do bom-gosto, porque ao menos há risco, a base da arte. Em que ponto a ironia macabra de um Rogério Skylab passa a fronteira do escatológico para virar arte bem-humorada? Por que Marisa Monte cantar "Amor I love You" é o máximo enquanto Reginaldo Rossi cantar "mon amour, meu bem, ma femme" é brega? O que faz do amor classe média essa coisa que flerta com a transcendência enquanto o amor proletário de porteiros, domésticas, pedreiros, policiais militares, seguranças e balconistas é brega? O que torna o Los Hermanos de Todo Carnaval tem seu Fim tão superior a Anna Júlia ? Aliás, por que a classe média só acha legal o carnaval melancólico? Por que Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos era uma merda até que o Caetano gravasse? E músicas do Peninha? Por que Proibida Pra mim era imbecil até que fosse gravada por Zeca Baleiro (sobre isso eu diria que gravada por Zeca Baleiro, com a MESMA letra, se tornou ainda mais imbecil, porque a letra é vazia e pobre, e o descompromisso do rock que ela era na origem tornou-se pretensão fátua com a levada "mpb" da segunda versão). Admitam. Há menos dessemelhanças entre uma coisa e outra. O que muda é sua paciência para encarar com mais compreensão determinadas coisas.
Marcadores: Cagação de Regra
::... Hefestus 9:17 PM
Manifeste-se ...::
:: Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007 ::
Pedagogia Vivemos numa era de informação empacotada e comercializada, o modelo do qual é a mídia, e devo dizer também a internet. Você pode trazer para discussão artigos impressos que tenham ar de um certo tipo de autoridade e finalidade que me parece que a mente crítica é obrigada a questionar. Antes de mais nada, existe o deves do professor de dar informação e conhecimento, de revelar aos alunos coisas que eles não conheciam antes. Ensino principalmente literatura e filosofia. Um grande número de livros e autores merecem ser conhecidos, por isso tento instigar as pessoas a lerem. Também tento instruir as pessoas a como ler. Em segundo, ensino as pessoas a como ler criticamente, que é ser capaz de não só ver um livro pelo que ele é, simplesmente como um livro, mas localizá-lo no seu contexto, entender como ele surgiu, que nada acontece por acaso. É um ato de escolha, uma série de escolhas, processos, nos quais autores e sociedades estão envolvidos. Em terceiro, tento mostrar como esses livros são partes de, você poderia dizer, redes de entendimento, informação e conhecimento que os estudantes também devem enfrentar e desafiar, assimilar e também filtrar criticamente para entender como, digamos, um romance em inglês pode estar relacionado a um romance francês ou a um romance em inglês escrito por alguém que não seja inglês na África, no Caribe ou na América. O ponto que quero que meus alunos alcancem é que o conhecimento e a leitura são sempre intermináveis. Eles sempre continuam. Eles requerem um questionamento, descoberta e desafio infinitos. Se fui bem-sucedido em algo, foi plantar a semente do questionamento insatisfeito e implacável neles, o que não os priva ao mesmo tempo do gosto pelo prazer e pela leitura, que estão no âmago do que fazemos.Edward W. Said, em Cultura e Resistência , entrevistas a David Barsamian
Marcadores: Livros
::... Hefestus 10:47 PM
Manifeste-se ...::
:: Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007 ::
Leitor de Orelha Há algo mais patético do que ser leitor de orelha de livro: ser alguém que cita orelha de livro. Ainda assim, calhou de eu estar relendo minha edição da Aeropagítica, o Discurso Pela Liberdade de Imprensa ao Parlamento da Inglaterra , do inglês John Milton , publicado pela Topbooks, e encontrei na orelha um texto de Millôr Fernandes que, primor de cinismo, me provocou ao mesmo tempo repulsa, perplexidade e inquietação. Ao falar sobre o discurso, nada mais do que um libelo de Milton instando seus confrades representantes a liberar o direito de publicação depois de ele próprio haver sido vítima de censura prévia, Millôr relembra vezes em que ele próprio foi censurado ou sofreu as conseqüências do que escreveu, seja por desagradar o ditador da hora, seja por pressões de grupos organizados como a Igreja, seja ainda por interesses econômicos dos veículos nos quais trabalhou. Ao fim, conclui, amargo, que toda a luta desde Milton e ainda antes não adiantou nada. E encerra com o seguinte decálogo:1 – Só existe um modo de ser livre: ser o opressor. 2 – O escravo quase sempre é colaborador de sua escravidão. 3 – A Constituição, que institui que todo homem tem direito à liberdade, não conhece o homem padrão. Ele tem que ser obrigado à liberdade. 4 – A liberdade absoluta só existe em momentos-limite, quando não se tem mais nada a perder [eco da frase famosa que encerra Um Inimigo do Povo, de Ibsen: "o homem mais livre é o que está mais só"]5 – A satisfação de nosso ego (liberdade) só é alcançada em detrimento de algum outro (ou de muitos outros) egos. Portanto a liberdade – mesmo utópica – só poderá ser a média da satisfação de todos os egos. Uma insatisfação. Uma mediocridade. 6 – Deve-se exigir toda liberdade dos que estão acima. E ser leniente na exigência de contrapartida dos que estão abaixo. Mas o contrário é mais factível. 7 – O carcereiro não pode vigiar o prisioneiro o tempo todo. O encarcerado pode fugir a qualquer descuido. Donde o prisioneiro ser (filosoficamente) mais livre do que o carcereiro 8 – As prisões mais sujas, todos sabem, são as mais livres [o que contraria o entendimento de quem realmente já teve como ver uma prisão. Quando ficam livres da vigilância do Estado repressor, a primeira coisa que os prisioneiros fazem é organizar uma sociedade baseada em autoridade, como a policial]9 – Ninguém pode nos dar liberdade. Mas qualquer um pode tirar, a começar pelos pais, trazendo-nos ao mundo em condições inadequadas. 10 – Com liberdade total o mais forte domina o mais fraco em nome de sua liberdade, o inteligente espezinha o mais ignorante em nome de sua inteligência, o mais belo seduz mais em detrimento do fisicamente destituído. Franklin, ao fazer o lema da revolução francesa Liberdade, Igualdade e Fraternidade, usou o elemento conciliador e humanístico Fraternidade para sugerir um equilíbrio impossível no paradoxo Liberdade x Igualdade.
Marcadores: Livros
::... Hefestus 8:16 PM
Manifeste-se ...::
Bom, fiquei um tempo tentando fazer os arquivos – publicações ruins e mais ou menos ao longo de cinco anos, mas ainda assim publicações ao longo de cinco anos – voltarem. Não consegui ainda. Acho que vou tomar isso como um sinal de que é hora de começar tudo de novo – o que não deixa de ser uma boa idéia, já que eu não sou mais o chato deprimido de 2001 (ando bem menos deprimido, e meus longos silêncios provavelmente me fizeram menos chato). Até porque parece que tudo agora mudou um pouco de figura, de alguma forma. Antes um certo idealismo ingênuo de minha parte era um resquício de juventude mas também uma resposta da minha parte a uma realidade em que o idealismo ainda parecia ser possível – eu não nasci nos anos 80, e portanto não tenho na minha frente apenas "a queda dos paradigmas" e "o pós-modernismo". Hoje eu vejo que tudo ficou um pouco mais complicado porque há uma desesperança arraigada no ar. Hoje não se muda mais mundo algum. O que alguém com boa vontade pode tentar fazer é impedir que ele caia. Por isso, acho que vale a pena não ter mais arquivos, essas coisas que me lembram de como já fui ingênuo.
Marcadores: Ego
::... Hefestus 7:56 PM
Manifeste-se ...::
Entro aqui de novo e o painel de acesso do Blogger me informa que minha última atualização foi em 21 de dezembro de 2006. Faz tempo, hein? Não te vergonha? Na verdade não.
Marcadores: Devaneios
::... Hefestus 7:53 PM
Manifeste-se ...::
:: Terça-feira, Dezembro 19, 2006 ::
Ok, prometo que é a última Sei que isso já tá ficando chato, mas recebi esta por e-mail e resolvi compartilhar...Divirta-se com este teste divertido de múltipla escolha! 1 - Como você soube que seu time foi campeão do mundo? a) vi na TV, li na internet em real time e escutei no rádio, tudo ao mesmotempo b) meu pai me contou. c) vi no programa "grandes momentos do esporte", especial do século passado. d) vi uma fita de video beta-max, com imagens colorizadas por computador.2 - Contra que time o seu time foi campeão do mundo? a) contra o Sanduíche Natural Futebol Clube; b) contra o Sociedade Esportiva e Recreativa Torrada; c) contra o Clube de Regatas Cachorro Quente; d) contra o MSI/Hamburguer; e) contra o Fútbol Club Barcelona.3 - Cite o nome de um jogador do time adversário. a) essa você me pegou!! b) peço ajuda aos universitários. c) vou perguntar pro meu pai. d) a escalação completa ou só o melhor do mundo?4 - Como você comemorou o título? a) Não me lembro. Tomei um trago absurdo. b) Não me lembro. Era criança de fralda. c) Lembro. Tomei um trago absurdo, estourei foguetes e comemorei muito. d) Lembro. Ddormi com minha mãe porque estava com medo dos foguetes.5- Que músicas você vai cantar no estádio ano que vem? a) As mesmas do ano passado, em português; b) We are the Champions; c) Teremos reunião de torcida, porque todas as músicas se tornaram desatualizadas e em espanhol não dá mais; d) Eu não canto. Fico me divertindo na analvalanche.
Marcadores: Colorado
::... Hefestus 9:31 PM
Manifeste-se ...::
Que engraçado. Os que até a semana passada eram únicos hoje gritam desesperadamente que são iguais.
Marcadores: Colorado
::... Hefestus 9:29 PM
Manifeste-se ...::
:: Segunda-feira, Dezembro 18, 2006 ::
Um minuto de sua atenção, senhores
Agora sim, nada pode ser maior.
Obrigado.
Marcadores: Colorado
::... Hefestus 1:22 PM
Manifeste-se ...::
:: Sexta-feira, Dezembro 15, 2006 ::
Já que fim de ano é tempo de especial de Roberto Carlos, desovo aqui um texto que escrevi certa vez instigado por uma amiga, que me solicitou uma definição do que tornava uma mulher atraente.Bela e terrível como um exército pronto para lutar * Os detalhes são importantes, é um fato. Mas são tão múltiplos que é difícil estabelecer uma estrutura que a tudo resuma. Há garotas que repetem os mesmos tiques de outras, e numas o gesto será detestável, e em outras, adorável. Mas tentemos:Inteligência – A própria noção de inteligência será variável de pessoa a pessoa, mas de modo geral meu conceito dela é uma capacidade de discernimento intuitivo das informações e das situações que o acaso colocam à disposição. Sem isso, não há rabo glorioso que se sustente sozinho.Salto alto – Talvez o som mais associado à feminilidade na minha cabeça seja o ritmado e melódico toque-toque de um par de saltos altos sobre piso ou calçada. São todos tão absolutamente banais, simples tiras que cingem o peito do pé ou uma armação de feltro ou couro a circundar a borda, quem viu um já viu todos. No entanto, é sempre comovente, em um sentido vagamente cômico, observar como elas conseguem enxergar beleza e transcendência a cada novo par adquirido, um par que, tirando a cor, parece muito com qualquer outro que ela tem no armário. Mas esse par terá o som. Aquele som. O som que é uma sirene de alerta para uma mulher a caminho.Cabelos – Elas sorriem e o cabelo cai no rosto, tapando parcialmente um olho e obrigando-as a fazer um gesto elegante para levá-lo ao lugar novamente. Elas caminham ao vento e o cabelo é um véu natural a esconder suas faces da curiosidade da rua. Elas se inclinam e o cabelo é uma cortina elizabetana fechando-se para o espetáculo dos olhos lânguidos que se escondem sob eles. Cabelos. O mundo deveria ser um lugar sem tesouras...Umbigos – Com o verão, elas armam mil e uma sutilezas para que ao mesmo tempo os vejamos mas nos comportemos como se não os tivéssemos visto. Camisetas que são curtas demais para tapá-los o tempo todo e compridas demais para deixá-los à mostra. E ainda há aquele momento em que elas estiram o corpo para trás na cadeira e se espreguiçam alongando os braços, e aquela camisa ou blusa que é exígua demais para permanecer no lugar sobe, desvelando o umbigo, "como uma taça redonda, a que não falta bebida", posicionado no centro do elegante ventre, "como um monte de trigo, cercado de lírios". E quando o gesto chega ao fim, a camisa volta com crueldade ao ponto inicial, exilando-nos da paisagem. Pior ainda quando há piercings, pequenos sóis orbitando o centro daquela promissora galáxia.Detalhes inúteis – Elas usam acessórios. Acessórios, o próprio nome já diz, não são o principal. Mas elas se esmeram neles. Mais de um brinco em cada orelha, em tamanho decrescente. Uma argola pequena no arco ogival da orelha, lá em cima, só perceptível quando os cabelos estão para o lado ou presos. Tatuagens minúsculas em lugares estratégicos: fragmentos de desenhos estranhos que sobem do cós da calça ou descem da barra da calça no tornozelo. Tribais ou detalhes como flores e borboletas e pássaros a se insinuar no papiro da pele. Tornozelos, omoplatas, a linha fina da cintura, o umbigo, os pulsos, tudo parece válido, nada parece interdito para a decoração que transforma a pele, papel branco, em esboço artístico, em tela valiosa em exposição cotidiana. Correntinhas sutis formando pulseiras luminosas a cintilar à medida que a luz passeia pelo braço. Tornozeleiras. Elas são detalhes, milhares de pequenos detalhes, nas quais investem tanto que por vezes a parte se sobrepõe ao todo, como um fantasmagórico zahir (pelamordedeus, isto é uma referência a um conto do Jorge Luís Borges incluído no Aleph , e NÃO, de modo algum, nem por decreto, uma menção ao romance do Paulo Coelho). Tem mais, sempre tem. O problema é esse. A cada detalhe fixado, temos um detalhe perdido, porque são coisas que só tem sentido em movimento, pulsantes na vida. Não fixados em palavras.*Cântico dos Cânticos de Salomão, provavelmente um dos mais belos poemas eróticos já escritos em qualquer idioma, tempo e lugar.
Marcadores: Devaneios
::... Hefestus 11:14 PM
Manifeste-se ...::
Migrei para o tal blogger beta por pura ignorância. Agora os arquivos não aparecem. Tava sentindo falta de apanhar deste troço. Não, não estava, só estou brincando.
Marcadores: Dinossauro
::... Hefestus 11:11 PM
Manifeste-se ...::
:: Terça-feira, Dezembro 05, 2006 ::
O Träsel é o autor do melhor post que eu li nas últimas semanas:A Vanessa Valiati enviou outra sugestão de blog que busca educar as leitoras sobre os perigos da personalidade masculina: Homem é Tudo Palhaço . É um fenômeno interessante, esse. Por que não existem blogs como "Mulher é Tudo Tarja-Preta" ou "Já pra Cozinha"? Provavelmente porque os homens, ao contrário das mulheres, não passam o tempo inteiro pensando no sexo oposto. Têm mais coisas para se ocupar, como futebol ou fusão nuclear.
Marcadores: Fraternidade
::... Hefestus 7:47 PM
Manifeste-se ...::
Essencialmente, sou um saudosista. Mas ao mesmo tempo reconheço o quanto essa postura é prejudicial a qualquer mínima aproximação de um pensamento válido. Não sou, portanto, do tipo que advoga um tempo em detrimento do outro. Ainda assim, essa questão das cartas, dos escritos de outrora e de como eles parecem, hoje, recobertos por uma sutil pátina de beleza que parece faltar aos e-mails desta nossa era de maravilhas não deixa de me provocar questionamentos estranhos. Não sou um lingüista nem um neurologista para deduzir se o mecanismo distinto da mão traçando os signos no papel difere alguma coisa na organização do pensamento em comparação com a rapidez com que a digitação no computador permite que se registre o que vem à cabeça. É uma discussão antiga, na verdade, e muitos escritores proselitistas já justificaram sua predileção pela palavra escrita a mão por uma improvável organicidade do processo que leva o pensamento do cérebro para a mão e deste para a caneta ou o lápis no papel. No computador é tudo mais simples, rápido, direto, e hoje não se tem mais a necessidade de se montar na cabeça todas as etapas de um texto logicamente antes de registrá-lo, nem cortar e colar para reordenar blocos, e é o bastante para que se possa escrever sem linearidade, por fragmentos depois conectados com maior ou menor competência – e a falta de linearidade e a fragmentação parecem ser as palavras de ordem deste admirável mundo novo pós-tudo. O que me leva à idéia de que hoje nossos melhores pensadores talvez não sejam necessariamente sujeitos que oferecem uma visão singular do mundo, e sim os melhores organizadores, aqueles que consegue unir os fragmentos com mais coerência. Mais montador do que exegeta. Mais organizador do que didático. Mais costureiro e menos modelista. Mais pedreiro e menos arquiteto. E talvez isso tenha algo a ver com essa literatura que se faz hoje, que dá tanta importância ao próprio processo da literatura: no momento em que você não corta mais o tecido na forma inteiriça adequada, e sim monta o que quer fazer numa colagem de retalhos e pedaços soltos, a linha se torna tão ou mais importante do que a tesoura e mesmo a forma final que a peça deve ter – e não pude deixar de me render a esta metáfora com som e jeito de infância, quando sentado no piso de parquete eu brincava de colar as figuras de transfer enquanto minha vó costurava em sua velha máquina Singer. Há alguma diferença no todo quando o todo não é feito de todo, e sim montado aos pedaços? Não sei. Quem disse que eu era um bom montador?
Marcadores: Devaneios
::... Hefestus 6:18 PM
Manifeste-se ...::
O gesto de repetição que me encontra não significou "eu não te amo", e sim "você não pode me amar tanto quanto gostaria de fazer, você que está tristemente amando seu amor por mim, e no entanto seu amor por mim não ama você". Portanto, não é certo dizer: eu conheci as palavras "Eu te amo"; tudo que conheci foi o silêncio expectante que deveria ter sido quebrado por mim dizendo "eu te amo". Kafka. Cartas a Milena . Leitura emendada com a da correspondência dolorosa entre Scott Fitzgerald e sua bela e maluca esposa Zelda. Estranho pensar que são cartas pessoais – e cartas de amor – escritas muito, muito antes de todo mundo escrever blogs por aí. E, no entanto, parece que naquela época as pessoas tinham mais coragem de se expor. Ou faziam isso com mais qualidade.
Marcadores: Livros
::... Hefestus 4:39 PM
Manifeste-se ...::
:: Quarta-feira, Setembro 13, 2006 ::
Estas vagas polêmicas Falei que o mundo às vezes parece exigir uma posição no debate dos chamados "grandes temas". E que eu na maioria das vezes não consigo encontrar essa posição porque as soluções não parecem, pelo menos para mim, tão simples quanto os defensores de um lado e de outro se aventuram a acreditar que são. A questão das cotas, por exemplo. Não páro de ler críticas exacerbadas sobre como não existe racismo no Brasil e como esta lei vai, pelo contrário, instituí-lo. E apesar de argumentos, dados, gráficos, índices e estatísticas do IBGE, eu simplesmente não aceito essa injunção. Se quisessem, como alguns querem, apresentar o argumento de que parece errado corrigir uma injustiça com a adoção de outra, ainda é um argumento a ser considerado. Agora, dizer que no Brasil não existe "racismo" simplesmente porque nunca tivemos quebra-quebras como em Los Angeles é algo que, na minha opinião, ultrapassa a ingenuidade e afunda com os dois pés no mau-caratismo. A tese da ampla "democracia racial" usada com tanta displicência (Gilberto Freyre deve estar se revirando na cova - ou não) nada mais é do que a antiga e torpe aprovação do negro "que sabia o seu lugar". Não existe racismo? Bem, meu jovem ou não tão jovem profissional de classe média que se sente atingido pela política de cotas. Pense: quantos negros foram seus colegas durante a vida inteira? Colegas MESMO, em mesmo nível hierárquico e social, e não o faxineiro ou o porteiro ou a atendente do bar em que você toma seu cafezinho ou a senhora que substitui as térmicas de chá e café no escritório. Eu não sou negro. E dia desses me peguei fazendo esse exercício: além de questões familiares que não vêm ao caso e que intensificaram meu contato com negros desde a infância, eu tive alguns vizinhos negros e muitos mulatos no bairro pobre em que morava. Mas no colégio em que fiz primeiro grau, uma cara instituição particular em que só pude estudar porque consegui uma bolsa, só tive UMA colega negra em oito anos de primeiro grau. Depois, nos anos seguintes de escola pública, esse número deveria ter mudado, mas não mudou, e no Segundo Grau, em escola estadual, só tive UM colega negro, melhor, não tive, ele estudava na sala do lado. Depois, a faculdade, em Porto Alegre, e novamente dentre, sei lá, uns quarenta que entraram naquele ano, havia UM negro. E depois no trabalho, três ou quatro, nunca simultâneos, sempre saía um, entrava outro. E aí aparecem os defensores do estatuto civilizado e edênico da sociedade brasileira para dizer que é "difícil" mensurar com exatidão quem é negro, e que não há racismo no Brasil, e eu me pergunto como é que essas pessoas conseguem manejar tão bem estatísticas e não se apareceber do que está à sua volta. É cômodo que quem se beneficia do sistema acredite que ele é justo e não tem nenhuma falha aparente. Eu mesmo deveria ser um dos que está berrando contra, porque tecnicamente sou um dos "brancos pobres ou classe média" que poderiam ter sido prejudicados numa universidade federal pelo sistema de cotas se ele já existisse quando fui para a Universidade. Mas não creio que meu prejuízo pessoal deva pautar uma questão que é séria e está sendo tratada como oba-oba. Me pareceu que o sistema de cotas, por ser defendido pelo governo Lula, foi vinculado à imagem pública de sua administração, e as discordâncias são sempre pautadas pelo ódio, pela polarização, pela ideologização do debate, apontando as cotas como parte de um suposto plano maléfico de esquerda levado a cabo pelo PT para solapar as bases da democracia, etc, etc. Blá, blá, blá. Ok, o PT me decepcionou tanto que este ano não leva meu voto de novo – e eu votei neles em quase todas as últimas eleições. E sim, o argumento de que Lula precisou fazer alianças para e concessões para governar é cínico e infundado. E sim, eu não vejo todo esse progresso que os petistas clamam e querem puxar pra si, pelo contrário, vejo a coisa bem pior. Mas isso não transforma TODAS as ações do PT em obras do demônio nem TODOS os projetos e iniciativas adotados por eles em erro (cadê os defensores da política econômica nessa hora, que sabem aplaudir controle da inflação mas que chamam o Bolsa-família de demagogia?). As cotas são uma injustiça, concedo. E são necessárias para que num primeiro momento a balança, que é muito desequilibrada, penda um pouco mais para o lado menos favorecido. Usar de meios assimétricos para tornar a assimetria inicial um pouco mais simétrica. E eu não considero isso piedade ou "coitadismo", considero "igualar o jogo" por um tempo. Depois, daqui a uns anos, será necessário rever tudo isso, mas por enquanto é o que se pode e se deve fazer. Não importa o que digam a Veja, o Ali Kamel e os comentadores do BLog do Noblat.
Marcadores: Cagação de Regra
::... Hefestus 7:16 PM
Manifeste-se ...::
Contradições da afonia Comecei este blogue no ano 2001, numa época em que eu era insuportável, minha vida era uma merda e, pelo fato de eu ser um insuportável que tinha certeza de que a vida era uma merda, eu não tinha exatamente muito com quem pártilhar minha insuportável condição de exilado em uma vida de merda. Eu escrevi muito aqui entre 2001 e 2002, é só olhar os arquivos para ver – e esses tempos eu olhei, e me dei conta de quanta coisa patéticamente pessoal já tingiu os pixels das telas de computador de meus cinco leitores. Lamentações descornadas, diálogos reais, excertos de vida, como o título do blogue promete e cumpre. Se não fosse dar um trabalhão, algumas coisas dessa época seriam impiedosamente apagadas. Já faz cinco anos, e deve ter feito ali por março, abril, porque este blogue primeiro se hospedou em um servidor que foi pro saco e levou os arquivos junto e depois eu migrei pra cá em setembro, agosto, por aí. Também já fez mais de mês que eu escrevi a última vez, e isso me acorda para o fato de que eu não sou um "blogueiro" – essa palavra que está virando categoria profissional. Pela lógica eu já devia ter matado este espaço, mas desta vez isso nem me passou pela cabeça, eu só fui fazendo outras coisas da minha vida, fui escrevendo outras coisas que, desta vez, eu não quis mostrar para ninguém. Só isso. Antes a vida lá fora era menos atraente do que a vida aqui dentro, escrever algo no blogue era uma necessidade porque era mais fácil do que fazer isso a mão num caderno, mas de fato havia essa necessidade, e hoje não há. Há apenas a noção de que, seja lá o que eu tenha pra dizer aqui, pode esperar eu terminar outras coisas. É um processo muito... variável. Hoje, por exemplo, a vontade que me deu foi a de escrever aqui em vez de fazer outra coisa que eu tenho pendente. Talvez também porque estou virando um ágrafo, estou sendo contaminado perigosamente por algo que parece o reverso de minha condição anterior: em vez de um deprimido desesperado com a necessidade de falar sobre tudo o tempo todo, pareço hoje um perplexo acuado, sem cuca fresca o bastante para achar que as coisas lá fora não são comigo e sem comprometimento ou certeza suficientes para tomar uma posição em cada um dos "grandes temas": corrupção, aborto, sistema de cotas, racismo, polarização política, reeleição ou não do Lula. Eu simplesmente não sei mais. Leio todos os dias coisa muito bem escritas e muito lúcidas sobre cada um ou mais desses temas, e todos parecem dizer coisas relevantes, mas nada parece cem por cento certo. Daí não tenho saco nem argumentação suficiente para entrar no debate, e eu sempre acreditei que uma vida sem argumentos é uma vida vazia. E estou perigosamente perto de uma, tomado por uma apatia com o exterior, voltado cada vez mais para os processos interiores que fazem parte de meu mundo, o que me leva a ter determinados pensamentos em vez de outros... Talvez tenha a ver com o fato de eu finalmente ter me dedicado a escrever com a intenção de preparar algo para publicação mais... convencional. Me parece agora mais importante descobrir como cheguei a um determinado pensamento do que o pensamento, o resultado em si. Talvez porque finalmente estou em uma fase em que não me sinta em dívida comigo mesmo. E, o mais importante, consigo refrear minha patética noção de autopiedade que às vezes me fazia achar que OS OUTROS estavam em dívida comigo. Então o mundo exterior não tomou parte de minhas preocupações fundamentais por muito tempo. Hoje tive vontade,e por isso chego à conclusão de que dificilmente eu matarei este blogue algum dia (a menos que minha identidade civil se tornasse muito conhecida, o que é uma possibilidade quase nula). Porque de vez em quando a gente tem vontade de dar um alô. Alô.
::... Hefestus 6:49 PM
Manifeste-se ...::
:: Quinta-feira, Agosto 17, 2006 ::
Um ar superior Alguém nobre e superior usaria este espaço para congratular o co-irmão pelo seu 4 a 2 contra o Santa Cruz e pela ascensão ao sexto lugar na tabela. Um ser superior esqueceria agora os 20 anos ouvindo piadinhas idiotas do tipo la copa, se mira e no se toca e sequer pensaria em como os gremistas à minha volta devem estar mordendo o cotovelo de raiva – gremistas e raiva sempre ficam bem na mesma frase, não sei por quê´. Vai ver pelo mesmo motivo que gremista rima com oportunista. Um ser superior seria só alegria. Felizmente, eu não sou um ser superior. É NOSSA, BANDO DE FILHOS DA PUTA, ARROGANTES PATÉTICOS E MALUCAS HISTÉRICAS. É NOSSA, NÓS OLHAMOS, TOCAMOS E MANDAMOS VOCÊS À MERDA. Era só o que tínhamos para o momento. Obrigado.
Marcadores: Colorado
::... Hefestus 12:45 PM
Manifeste-se ...::
:: Terça-feira, Agosto 01, 2006 ::
Trilogia Escuto no rádio que a CPM-22, depois da pérola do cancioneiro nacional Irreversível , se apresenta com nova música de vadiagem (porque chamar de música de trabalho algo tão tosco é depreciar quem dedica trabalho ao que produz). O nome, originalíssimo? Inevitável . Imagino que no ano que vem os bravos e valorosos representantes do hard-rock nacional devem encerrar a trilogia dos adjetivos com Insuportável
::... Hefestus 12:26 PM
Manifeste-se ...::
Política Mesmo em meus dias de anarquista sempre achei que votar nulo era roubada, porque ou você simplesmente não ia votar ou escolhia alguém, já que o anular o voto ou o votar em branco AINDA são opções previstas no sistema. A abstenção pura e simples sem justificação deveria ser o caminho – e eu fiz isso duas vezes e até hoje me incomodo pra conseguir empréstimo, fazer concursos, quase não fiz vestibular na época e quase não me diplomei. Depois aderi como todo sujeito que cansa e passei a votar neste ou naquele. Hoje não mais. Não tenho mais paciência para este ou para aquele. Não tenho mais paciência nem pra não ir votar sem justificar - uma atitude rebelde que provoca mais problemas para quem a pratica do que para o "sistema" a quem esse protesto pífio seria dirigido. Mas hoje, com tanta nulidade avultando na política. Nada mais justo que anular o voto. Não, isto não é uma campanha, é um comentário pessoal. Até porque no universo de eleitores possíveis, a utopia do "um homem um voto" que construiu a democracia perde a razão de ser. Um homem não vale um voto, vale um zero-vírgula-zero-alguma-coisa. Seria necessário uma revolta monstruosa para que isso fosse realizado e a eleição fosse anulada, como defendem determinados e-mails que têm circulado e que eu já recebi. Mas estamos no país em que duzentas pessoas esperam 10 horas para retirar 20 fichas de consultas ambulatoriais e não há quebra-quebra. Estamos no país em que cem pessoas esperam duas horas numa fila de banco sem que ninguém deprede as instalações. Estamos no país em que um governo afundado até o pescoço ainda posa de vestal e tenta de novo com chances de conseguir porque a alternativa é, francamente, patética. Estamos no país em que tudo está por fazer e ninguém faz nada. Estamos no país em que a única revolta ocorre quando há um time de futebol envolvido. Estamos, estou, no país que talvez eu mereça. Logo, nada mais coerente do que agir em consonância com o meu próprio país e anular o voto, ser uma nulidade política, não fingir que minha opinião é considerada nem que eu dou a mínima para isso.
Marcadores: Cagação de Regra
::... Hefestus 12:54 AM
Manifeste-se ...::
Ah, a tecnologia Antes de eu descobrir algumas coisas maravilhosas como o gerador de tirinhas online sobre o qual meu camarada Arnaldo postou recentemente (vão olhar ali nos linques, tou com preguiça), eu provavelmente faria um amplo e verboso arrazoado sobre as cenas de selvageria protagonizadas pela torcida gremista no Gre-Nal. Hoje, só preciso postar esta tirinha que fiz naquela página. A propósito, precisei dar um "print screen" porque não conseguia salvar o bagulho, por isso ficou tosco desse jeito e o último quadrinho foi meio que cortado a facão, mas não falta nada aí. Se não tem graça é porque tá ruim mesmo. O Arnaldo dia desses precisa me ensinar como se faz (pra salvar as tiras, porque pra ter graça eu sou um caso perdido).
::... Hefestus 12:38 AM
Manifeste-se ...::
:: Quarta-feira, Julho 12, 2006 ::
Post Hermético Você estava na letra de That's no way to say goodbye , e naquela época profanava Bowie me chamando de Major Tom. Hoje eu desdenho sua memória inutilmente como se vivesse na letra de Chelsea Hotel . Ah, eu sei, você e eu tivemos pouco tempo. Muito pouco. Era pra ser um corte de papel no dedo. Algo que ardesse por dois dias antes de desaparecer pra semrpe nos processos regenerativos epiteliais. Lá ficou a cicatriz. E como um verme abaixo da pele parece pulsar às vezes, funda como facada. Acho estranho. O tempo passou, a vida seguiu e de vez em quando eu ainda me pego pensando o que você pensaria de determinados pensamentos que eu estou tendo. Impossível não pensar o quanto o medo foi paralisante na época. Tá certo, o caminho seguiu e abriu surpresas, melhores e mais felizes do que eu merecia. E hoje finalmente as coisas são felizes. Mas às vezes, só às vezes. Olho pra trás e penso. Só penso.
Marcadores: O Meu Mundo
::... Hefestus 10:29 PM
Manifeste-se ...::
Formas clássicas Em 2002, a Copa foi cenário para um herói clássico, épico, um herói do tipo que os gregos gostavam de povoar suas epopéias: Ronaldo. Desacreditado, ferido, marcado, ele, com a ajuda de um grande mentor, enfrenta obstáculos cada vez mais duros e, ao fim, tem sua busca recompensada pela glória. Este ano, numa copa que teve menos gols, menos jogos legais, uma copa que provavelmente no futuro vai ser tão mal afamada quanto é hoje a de 1990, vimos perante os nossos olhos a encenação de uma tragédia. Não, não era Ronaldo. Lembremos sempre que a definição aristótélica para o herói trágico é a de uma figura de grande força, mérito, coragem e virtude e que é atropelada por um destino inexorável, no qual ele mais se enreda quanto mais tenta fugir. Ronaldo, Ronaldinho, e nosso lateral meia-boca (ou melhor, meia frouxa) Roberto Carlos não foram em momento algum corajosos, não tiveram virtude nenhuma, jogaram feito uns molengas e se mereceram alguma coisa foi perder mesmo. Logo, a derrota da Seleção não foi trágica, e quando vi tantas lágrimas derramadas na tela de televisão a única coisa que consegui pensar foi como as pessoas desperdiçam seu pranto ao vento, uma vez que essa suposta "tragédia" era uma derrota que poderia ser intuída pela inconsistência brasileira em campo – onde tivemos a situação inversa da de 82: defesa sólida e ataque anêmico, enquanto na Copa da Espanha tínhamos ataque exuberante mas pouca gente marcava. A tragédia deste ano foi de Zidane. A tragédia, segundo Aristóteles, deve inspirar compaixão e terror. Não deve falar de alguém excessivamente mau que cai em desgraça. Nem de alguém que cometa um ato terrível e passe do crime à felicidade (portanto, se ralou quem andou comparando Belíssima a uma tragédia grega). Diz o sábio – reparem nos negritos feitos por este que vos fala:Resta, entre estas situações extremas, a posição intermediária: a do homem que, mesmo não se distinguindo por sua superioridade e justiça, não é mau nem perverso, mas cai no infortúnio em conseqüência de algum erro que cometeu ; neste caso coloca-se também o homem no apogeu da fama e da prosperidade , como Édipo ou Tiestes ou outros membros destacados de famílias ilustres. Para que uma fábula seja bela, é portanto necessário que ela se proponha um fim único e não duplo, como alguns pretendem; ela deve oferecer a mudança , não da infelicidade para a felicidade, mas, pelo contrário, da felicidade para o infortúnio , e isto não em conseqüência da perversidade da personagem, mas por causa de algum erro grave , como indicamos, visto a personagem ser antes melhor que pior. Logo, nossos amigos brasileiros não eram figuras trágicas. Na mesma Poética Aristóteles diz que Sem Ação não há tragédia , e como naquele último jogo a seleção brasileira não fez nada, não correu, não se mexeu, não partiu pro ataque e nem sequer jogou, não houve tragédia. Já Zidane começou a copa contestado, terminou a primeira fase apontado como o responsável pela má-fase de sua seleção. Foi para a segunda fase, brilhou contra a Espanha, arrematou a classificação com um gol bonito ao fim do jogo, anunciando o que seria mais tarde uma das atuações mais épicas de um jogador em copa – a contra o Brasil que não se mexeu. Contra Portugal jogou o feijão com arroz e não se destacou, mas levou seu time à final. A final que, todo mundo se apressou a dizer, era a única maneira digna de um craque de sua grandeza se aposentar. Uma final na qual ele teria a chance de encerrar de maneira gloriosa uma carreira por si só destacada de um jogador que foi, sem favor, um dos mais talentosos do mundo. Logo, a final encontra Zidane como o homem no apogeu da fama e da prosperidade . E aí ele comete um erro, levado por seu temperamento irascível. Cai na provocação do italiano (povo que tem muita eloqüência, comédias saborosas, mas poucas tragédias realmente boas, diga-se. Um Sêneca na tragédia não alcançou o grau de excelência que o francês Racine, e isso deve querer dizer alguma coisa). Caminha resoluto e derruba o sujeito com uma cabeçada na altura do esterno. Ah, um parêntese aos que acharam que o italiano exagerou e fez o golpe render ao cair daquele jeito. Procurem um instrutor de defesa pessoal e ele lhes dirá que um dos golpes mais fulminantes se bem aplicado é justamente no peito. Outro é no nariz, que provoca lacrimação e encerra a luta. Ele é expulso. Ele sai, a França perde seu melhor cobrador de pênalti - embora ela tenha cobrado mal o que resultou no primeiro gol. Talvez Zidane ficasse pro fim, talvez fizesse um gol, não se sabe. Mas com um a menos a França precisa acima de tudo se defender e esperar os pênaltis. Com a equipe igual em número, talvez os franceses conseguissem romper o cattenaccio italiano devido à sua técnica superior. Mas não se enganem os que acham que com Zidane em campo o resultado nos pênaltis seria outro. Trezeguet, que errou a cobrança que deu o título aos italianos, provavelmente bateria pênalti de qualquer jeito, já que ele é um dos melhores cobradores. Zidane em campo bateria um dos chutes desferidos pelos menos cotados. De qualquer forma, Zidane comete um erro e perde a glória. Há certa beleza na tragédia – se não houvesse, Édipo, Hamlet ou Medéia não comoveriam ainda hoje. Sem falar que um colorado tende a se solidarizar com quem perde jogando melhor ou perde quando tinha reais condições de ganhar. Zidane encerra sua participação na história da bola como um herói, sim. Mas herói trágico.
::... Hefestus 9:40 PM
Manifeste-se ...::
O dom de ignorar como se não se soubesse Compro, motivado por um impulso que a esta altura do mês, com as contas que tenho para pagar, eu, sinceramente não deveria sentir, uma cara e convidativa antologia Contos Fantásticos organizada pelo Flávio Moreira da Costa. Confesso que, se eu não tivesse lido um ou dois livros dele há algum tempo, eu ficaria com a impressão de que o cara só faz isso da vida, recolhe contos para coletâneas. Mazentão, eu dizia que comprei o livro que se chama Os melhores contos fantásticos . Não li todos, mas o índice me garante que são 50, se eu não contei errado. Começo a ler por uma apresentação que teoriza sobre, em primeiro lugar, a fluidez e imprecisão necessária quando se fala em conto "fantástico" (o termo é por demais vago e cabe muita coisa sob a sua proteção, como um guarda-chuva, no fim). A certa altura, uma passagem que eu não vou citar de memória pela impossiblidade temporária de consulta o livro, afirma com muita propriedade que muitas dessas histórias que nós chamaríamos fantásticas eram simplesmente literatura numa era em que não havia tanta ciência para explicar tudo, não haviam avanços da medicina, Freud e as neuroses. O trecho imediatamente me trouxe à memória um artigo que li sobre o livro do Mojo, Dedo negro com unha , no qual ele falava algo parecido, que ele não escrevia literatura fantástica, e sim literatura como ela era conhecida antes do advento do realismo como modelo hegemônico de criação literária. Ou algo assim. Acho as duas colocações muito válidas, mas não consigo deixar de relacionál-as de maneira irresponsável com outra coisa. É necessário, com certeza, um grande talento de abstração para viver em um mundo como o nosso, já conhecendo tudo o que se sabe sobre isso, todo o pensamento racionalista que nos foi despejado nos últimos anos, e ainda assim conseguir pensar como se isso não tivesse sido ainda apresentado. Trocando em miúdos, é mais ou menos a sensação que eu tenho quando, naqueles filmes norte-americanos de júri (afinal, lá qualquer coisa pode via a ser decidida em júri), o advogado de defesa ou o promotor sacam da cartola uma prova bombástica de última hora que pode mudar o rumo do julgamento ou um depoimento surpresa redentor e o adversário, a outra parte, usando com destreza as normas e procedimentos penais, consegue impugnar o tal depoimento ou a tal prova e pedir que ela seja retirada dos autos. O juiz defere a solicitação, vira para o lado e diz ao júri que acabou de ouvir o depoimento que pode mudar o rumo do caso: "Ordeno ao corpo de jurados que desconsidere tudo o que foi dito pela testemunha" . E o julgamento segue em diante, e eu fico pensando: como é que eu, no lugar daqueles caras, conseguiria abstrair e desconsiderar algo que eu ouvi com tanto impacto e que agora deve ser deixado de lado quando eu estou decidindo às vezes algo de importância extrema? Claro que as coisas não são equivalentes, e nem a gravidade das situações é a mesma. Notem que eu falo "gravidade". Literatura é uma coisa séria e seus efeitos podem ser transcendentes, mas eles não são tão graves quanto uma condenação à cadeira elétrica, por exemplo. E aquele lenço manchado de sangue na casa do viúvo pode inocentar o amante, ou vice-versa. Mas foi apresentado fora do prazo legal e agora deve ser desconsiderado. Talvez a chave seja mesmo imaginação. Algo que eu tenho de monte ou não tenho nenhuma – dependendo da época, dos remédios que eu estou ou não tomando ou mesmo da situação atmosférica. Talvez agora eu ande sem.
::... Hefestus 8:59 PM
Manifeste-se ...::
:: Segunda-feira, Junho 26, 2006 ::
Curtas na Copa * Bá, que coisa. ao contrário do que eu esperava, a cobrança de pênaltis do time da Suíça foi bem pouco precisa . A defesa era cheia de furos e o time não jogava com ponteiros . * Ah, sim, esqueci de mencionar mais isso: Os suíços voltaram pra casa com traumatismo ucraniano * Portugal e Holanda foi acompanhada atentamente por dois cantores (e torcedores) célebres. Roberto Leal era torcedor de Portugal. Chico Buarque, de Hollanda . * Não, ao contrário do que vocês pensam, este blogue não fará nenhum trocadilho com o adversário do Brasil nesta terça.
::... Hefestus 9:14 PM
Manifeste-se ...::
:: Terça-feira, Junho 20, 2006 ::
Previsível como uma derrota da Costa Rica foi o fato de eu não ter levado o prêmio da promoção Capitão Preza, mas cliquem ali no linque da página do Arnaldo – se é que depois da minha experiência de quase-morte alguém ainda vem aqui – e dêem uma olhada na capa do livro do Capitão Presença, que o Arnaldo finalmente trouxe a público. Agora, é só o Presença começar sua tour nacional – e eu torço para que ele inclua nesse giro Porto Alegre, cidade que, como todo mundo que mora aqui sabe, tem uma ampla base eleitoral comprometida com a plataforma do ilustre candidato.
::... Hefestus 9:46 PM
Manifeste-se ...::
Uma jogada, uma cagada Confesso que o sentimento que eu mais tenho quando olho os outros jogos até o momento é inveja. Porque esta é uma copa até agora de seleções surpreendentes e resultados previsíveis. Explico: todos os grandes favoritos até o momento enfrentaram dificuldades inesperadas e problemas para impôr seu jogo em pelo menos uma partida – e, com raras exceções, todos acabaram ganhando assim mesmo, como seria de se esperar. Vão falar da Argentina e dos seus 6 a 0 na Sérvia, mas no primeiro jogo a Argentina não jogou bem o tempo todo e sofreu pressão em praticamente todo o primeiro tempo da Costa do Marfim – segurando ali ali um 2 a 1. A Suécia se classificou hoje, mas no primeiro jogo só ficou no empate contra Trinidad. A Itália não perdeu dos Estados Unidos, mas empatou, o que não era lá muito esperado. Portugal, ao estilo Felipão, teve problemas para manter um 1 a 0 contra o Irã. Depois de um primeiro jogo emocionante contra a Costa Rica, a Alemanhã ficou no 1 a 0 no último minuto contra a Polônia que já havia tomado um baile do Equador. A Inglaterra amargou, mas venceu o Paraguai por 1 a 0 E por que inveja, então, se olhando desse contexto o Brasil está apenas seguindo a normalidade com seu pífio 1 a 0 contra a Croácia e sua sofrida vitória por 2 a 0 contra a Austrália? Justamente porque, se todos os favoritos tiveram até agora ao menos um jogo ruim, difícil, truncado e mascado, todos os mesmos favoritos responderam no jogo seguinte ou já haviam no primeiro jogo mostrado personalidade condizente com seu tamanho. A Argentina jogou tão lindamente seu segundo jogo que eu só fico torcendo para que este ano eles sejam o que o Brasil foi em 1982 – e não o que o Brasil foi em 1970, por exemplo. A Inglaterra jogou dois jogos terríveis com vitória, e ironicamente fez seu melhor jogo naquele que empatou, hoje. A Alemanha pegou o Equador com cinco reservas, mas ainda assim impôs um futebol muito bonito – e já havia feito uma estréia com vibração e muitos gols. Já o Brasil... O Brasil jogou MUITO mal o primeiro jogo e só meio mal o segundo. Não houve ainda a prometida recuperação, que eu torço que venha contra o Japão. Mas isso, é claro, é palpite, é palpite de um sujeito que admite sem que nenhum leitor precise consultar os arquivos que, na Copa de 2002, tinha certeza absoluta de que o Brasil ia perder pra Inglaterra.
::... Hefestus 9:27 PM
Manifeste-se ...::
A Copa até aqui Parreira é um monge budista numa ilha de histerismo, ou algo assim, já disse num comentário recente o Arnaldo (O Branco, não o Cézar Coelho, pelamordedeus). Acho que é verdade, mas não tenho tanta confiança assim nessa seleção que está jogando, acho realmente que tem algo que não está funcionando neste time que tem quatro atacantes e uma zaga forte mas que não tem mobilidade e agilidade para fazer a bola circular de um pro outro. Não sou técnico e não sou eu que está aturando a pressão – que é tão grande que eu só tenho a admirar sujeitos com o culhão de suportá-la, como o Parreira. Agora, não consigo deixar de perceber determinadas ironias produzidas pelo tempo e chutar que nelas estão as raízes desse problema de comunicação entre Parreira e a imprensa esportiva – que por sua vez acaba influenciando a torcida: * Em 1994, Parreira tomou pau de todo lado por insistir em um esquema retranqueiro e visivelmente falido (estou usando palavras de textos da época) e em teimar com Zinho, o enceradeira, em vez de retirá-lo para dar espaço a mais um atacante de ofício – ou ao próprio Ronaldo, na época Ronaldinho, jogador do Cruzeiro, com 18 anos e tido como um novo Pelé, não fosse a burrice do treinador que não o botava em campo . * Em 2006, Parreira está tomando pau de todo lado por insistir em um esquema "faceirinho" e visivelmente falido e em teimar com os quatro atacantes em vez de retirar um deles e reforçar a marcação e a articulação colocando Juninho Pernambucano ou Gilberto Silva no lugar de um dos quatro – de preferência o Ronaldo, quase Ronaldão, gordo, lento, desmotivado para qualquer um que não tenha essa burrice do treinador que não ousa tirá-lo de campo * Em 1994, como dissemos, Parreira tomou pau de todo lado. Deveria tirar o Dunga, ser mais ofensivo, mais arriscado, deveria tirar o Romário, que era muito pouco participativo, deveria mudar o time e ouvir a imprensa. Ele não ouviu e trouxe a Copa. * Em 2002, como dissemos, Parreira está tomando sarrafo de todo lado. Deveria tirar o Ronaldo, ser mais defensivo, pôr o Robinho para dar mais movimentação, deveria mudar o time e ouvir a imprensa. Responda sinceramente. Se eu ou você fôssemos o Parreira e tivéssemos sido o mesmo técnico de 1994, ouviríamos?
::... Hefestus 9:13 PM
Manifeste-se ...::
Razões de Ausência Navegando a esmo, dia desses, encontrei este comentário em um blog de uma garota que, pelo que entendi, era daqui de Porto Alegre. Agora parece ter se mudado:* Me entedio com o atual estado da blogosfera: brigas idiotas, blogueiros que querem agradartodo mundo para ter mais hits,e aquele velho instinto de "rebanho"(é por isso que não faço parte de grupos)todo mundo com "ideiazinhas formatadas" . Um pouco radical, talvez, mas por algum motivo nos últimos tempos eu andei longe justamente porque também andava entediado com este treco. Isso não me parece exatamente o Atual estado da Blogosfera. Parece mais o de sempre, desde que eu comecei este blogue jurássico nos idos ancestrais de 2001. Panelinhas de gente que liam e citavam umas às outras e compravam brigas de amiguinhos para formar facções. Sempre foi assim, e já me incomodou mais. Mas hoje me dei conta que por meio desta página consegui algumas interolocuções – breves umas, duradouras as outras – com gente que realmente valia a pena. E que o instinto de "rebanho" é muito facilmente combatível: é só ligar apenas para sua própria opinião. Ponderar as dos outros, mas pautar-se por si mesmo. Ainda assim, tédio foi o que me manteve longe. Tédio com o virtual quando tanta coisa interessante andou acontecendo pra mim no mundo real – é época de COPA, caramba, vocês não perceberam? Abraços e é bom estar de volta.
::... Hefestus 9:08 PM
Manifeste-se ...::